segunda-feira, 16 de abril de 2012

A LINGUAGEM É O MAIS FIEL RETRATO DE NOSSO ESPÍRITO, DE NOSSA MENTE

Vivemos numa sociedade altamente competitiva, onde cada qual procura superar seu próximo em riqueza, popularidade ou prestígio social quanto a vestuário, postos universitários ou governamentais. Nos veículos de comunicação  se nos deparam mais notícias de conflitos do que de cooperação - conflitos entre empresas rivais, entre religiões, entre partidos políticos, operários e empregador, povos e nações. Sobre nossas cabeças está ainda suspensa a ameaça constante de outra guerra, mas devastadora do que a última. Somos tentados a dizer, por conseguinte, que não a cooperação mas o conflito é grande princípio que rege a vida humana.

Até que ponto são as diferenças de línguas, barreiras para a compreensão mútua?  É possível e desejável uma língua universal? É aconselhável que governos de nações plurilíngues (como a Índia) tentem impor uma língua a todos os falantes coo nacional oficial?  Em caso afirmativo, qual delas?  Até que ponto membros de grupos minoritários e de classes baixas são prejudicados em seu progresso social e econômico por sua maneira de falar?

Não compete aqui dar respostas a todas essas difíceis questões. Mas qualquer pessoa interessada em encontrá-las não pode dispensar um conhecimento da linguagem.

Apesar da competição de superfície, existe um grande substrato de cooperação, aceito e admitido, que faz marchar o mundo. Em verdade, na realização de um simples programa de rádio, requer-se a coordenação de esforços de engenheiros, atores, músicos, companhias dos mais variados aparelhos, digitadores, diretores de programa, agentes de publicidade, escritores e centenas outros agentes. Contam-se por centenas de milhares de pessoas que cooperam na produção de automóveis - de montadores até fornecedores e remetentes de material de diferentes regiões do globo. Qualquer atividade organizada de comércio constitui um ato complexo de cooperação para o qual cada trabalhador individual contribui  com o seu quinhão. Qualquer greve ou suspensão de trabalho é um recuo em face da cooperação, mas considera-se terem as coisas "voltado à normalidade" quando a cooperação se restabelece.


Como indivíduos, concorremos a empregos, mas conseguido, a nossa função consiste em contribuir, no tempo e lugar devidos, para aquela séria infinita de ações cooperativas que, eventualmente, serão o produto final da empresa. O que importa é o fato de que toda essa cooperação, indispensável ao bom funcionamento da sociedade, ser necessariamente conseguida mediante a linguagem, ou então, não ser absolutamente conseguida.
Em segundo lugar, uma compreensão da linguagem tem significação intelectual imensa, com importância direta ou indireta, para outras disciplinas. Os filósofos, por exemplo, preocupam-se muito com ela. Para uma melhor visão do homem, é importante saber se a linguagem é adquirida ou se é em grande parte inata, como discutem empiristas e racionalistas. Os racionalistas afirmam que as pessoas nascem com idéias inatas, que grande parte da organização psicológica é instalada no organismo e transmitida geneticamente. Os empiristas afirmam que as pessoas nascem, do ponto de vista psicológico, como uma lousa em branco e que a organização psicológica é determinada quase inteiramente pela experiência.


Os filósofos também se interessam pela linguagem como instrumento de análise filosófica. São as línguas humanas viáveis como veículos de investigação e teorias filosóficas? Pode o mau uso da linguagem ser responsável por erros filosóficos? Qual a relação entre linguagem e lógica?
Sendo a linguagem um fenômeno em grande parte mental, seu estudo é de grande interesse para a Psicologia. Qualquer teoria adequada da psicologia humana deve dar alguma explicação de nossos processos de pensamento, e, aí, a linguagem é de importância central porque a maioria deles assume forma linguística. Muitos, se não a maior parte de nossos conceitos recebem algum tipo de rótulo verbal. Assim, a relação entre linguagem e formação de conceitos interessa aos psicólogos. Ela também testa significativamente teorias de organização psicológica; as línguas são altamente estruturadas e podem ser descritas de forma consideravelmente detalhadas. Qualquer teoria da organização psicológica deve conciliar adequadamente os tipos de estruturas que sabemos serem características das línguas humanas

As outras ciências sociais também podem se beneficiar de um conhecimento sobre a linguagem. Sendo a estrutura de uma língua  mais óbvia do que outros tipos de estruturas que interessam ao cientista social, ele poderá tirar bom proveito e seu estudo.
Em terceiro lugar, uma introdução à natureza da linguagem é importante para qualquer pessoa que se interesse por possíveis aplicações práticas dos resultados da investigação linguística. Uma profunda compreensão da linguagem é valiosa para quem ensina ou estuda uma língua, nativa ou não.

Suponho, mesmo que as traduções computadorizadas possuem programas sofisticados para organizar a estrutura linguística.

Os antropólogos precisam conhecer a língua de um povo para que a investigação de sua cultura seja mais proveitosa. Os missionários, em regiões não civilizadas, precisam de bastante conhecimento teórico e prático sobre a língua dos nativos que deve ser rápida e bem aprendida.

Finalmente, um estudo acurado sobre a língua é importante porque ninguém pode ser considerado realmente culto se não conhecer bem o funcionamento do instrumento de grande parte de sua instrução. Uma vez que a língua participa, virtualmente, das atividades humanas, um conhecimento a seu respeito não pode ser considerado periférico.

Um estudo profundo sobre a linguagem não precisa de outro argumento: para que uma pessoa se conheça e compreenda a si mesma, deve compreender a natureza do sistema linguístico que tem papel tao fundamental em sua vida mental e social. A linguagem precisa ser conhecida e compreendida porque ela está aqui presente, presente até mesmo em nossos sonhos enquanto dormimos. Ela é o mais fiel retrato de nosso espírito, de nossa mente.


Bibliografia:

  • Hayakawa, S.I. - A Linguagem no Pensamento e na Ação - "As Funções da Linguagem"
  • Langacker, Ronald W. - A Linguagem e sua Estrutura








domingo, 15 de abril de 2012

A LINGUAGEM É UM FENÔMENO SOCIAL



Até mesmo os povos pertencentes a culturas em atraso e que ignoram a escrita, são capazes de trocar informações e passá-las de geração a geração. Parece, todavia, existir um limite, tanto na fidelidade quanto na quantidade de connhecimentos transmitidos oralmente.

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Assim, é que o ser humano nunca depende apenas de si mesmo para obter informações. Até na cultura mais primitiva podia utilizar-se da experiência de vizinhos, amigos e parentes e que lhe era transmitida por meio da linguagem.

Mas quando se inventou a escrita, deu-se um grande passo para frente. A exatidão dos comunicados pôde, então, ser examinada, reexaminada pelos observadores, e a quantidade de conhecimentos acumulada deixou de ficar limitada à capacidade das pessoas em lembrar-se daquilo que lhes foi contado. Para qualquer cultura letrada, bastam apenas alguns séculos para se acumular um vasto cabedal de conhecimento - muito maior do que qualquer indivíduo dessa cultura poderia obeter em toda a vida, quanto mais lembrar! Tais acervos de conhecimento sempre ampliados são postos à disposição de quantos os desejem, mediante processos mecânicos – imprensa, jornal, revista – e agentes distribuidores – comércio livreiro, biblioteca.

Por exemplo, um médico que não saiba tratar um paciente acometido de uma doença rara, poderá perlustrar o “Index Medicus” que o reportará a revisar médicas do mundo inteiro nestas, encontrará comunicados de casos similares que o ajudarão a assistir seu cliente. Da mesma fora, se alguém vive angustiado com um problema de ética, não precisa limitar-se apenas ao conselho do pastor de sua igreja, pode consultar Confúcio, Aristóteles, Jesus e muitos outros, cujos pensamentos sobre o assunto foram registrados em livros. E se é o amor a causa de sua inquietação, pode obter conselhos não apenas de sua mãe ou do melhor amigo, mas também de Ovídio, Propércio, Shakespeare ou de qualquer outro que tenha conhecido esse sentimento e registrado sua experiência por escrito.

A linguagem é de tal modo onipresente que a aceitamos e sabemos que, sem ela, a sociedade, tal como a conhecemos, seria impossível. É um mecanismo indispensável à vida humana, da vida que é plasmada, orientada, enriquecida e tornada possível graças ao acúmulo de experiências passada dos membros da própria espécie.

Existem várias formas de exemplificar a luta de pessoas para ajudar  um ser humano que tenha alguma  deficiência que comprometa a linguagem e a própria expressão.  Vejam o exemplo a seguir, de um pai que luta para proporcionar uma vida melhor para seu filho, tentando entender seus sentimentos e atitudes. Apesar de o vídeo ter sido feito em língua italiana, acredito que não seja difícil a compreensão para aqueles que  o assistirem. O título do vídeo é " Se te abraço, não tenhas medo!"  será usado como título do livro que conta a experiencia de vida desse jovem e do seu pai na luta contra o AUTISMO. 
Também por ser a única maneira de fazer com que as pessoas entendam o porque do jovem Andrea sempre abraça todos que encontra pela frente, pois esta é a maneira que usa para se  comunicar.
As realizações culturais das idades - a invenção da arte culinária, das armas, da escrita, da imprensa, dos métodos de construção, dos jogos e diversões, dos meios de transportes e a descoberta  das artes e das ciências, inclusive da computação - nos foram dadas grátis pelos muitos que já morreram. Estas dádivas, para cuja obtenção nada fizemos, oferecem-nos  não apenas a oportunidade de uma vida mais rica do que aquela que nossos antepassados desfrutaram; dão-nos igualmente oportunidade de acrescentarmos à soma total das realizações humanas as nossas próprias contribuições, por menores ou mais humildes que sejam.

Assim, pois, saber ler ou escrever equivale à faculdade de aproveitamento e participação na maioria dos feitos humanos, especialmente na cotização de todas as experiências reunidas em vastos acervos cooperativos de conhecimento, os quais, exceto em caso de privilégios especiais, censura ou proibição, são de livre acesso a todo mundo. Em vez de permanecer desajudado por causa das limitações de sua própria vivência e conhecimento, em vez de precisar redescobrir por si mesmo aquilo que os outros já fizeram, e em vez de explorar as falsas trilhas já exploradas e repetir os mesmos erros, o homem pode continuar avançando, a partir do ponto onde esses outros chegaram. É o mesmo que dizer que a linguagem é que torna possível o progresso.

Desde o grito do homem primitivo  até a última monografia científica  ou notícia radiofônica, A LINGUAGEM É UM FENÔMENO SOCIAL e a cooperação cultural e intelectual constitui o grande princípio da vida humana. Resultado:  todos os que sabem ler qualquer das línguas europeias ou asiáticas ficam potencialmente em contato com os recursos intelectuais de empreendimentos humanos seculares ou milenares, em todas as regiões do mundo civilizado.

Apesar de seu predomínio nas atividades humanas, a linguagem é pouco conhecida. Há quantidade de conceitos falsos a seu respeito, inclusive por parte de pessoas instruídas, e nem mesmo os lingüistas profissionais podem afirmar compreendê-la totalmente. Está radicalmente errada uma pessoa que pretenda seja a natureza da linguagem evidente por si mesma, ou que conclua sabermos tudo sobre uma língua, simplesmente porque a falamos. Aos poucos, no entanto, vamos aprendendo a respeito desse notável instrumento de comunicação unicamente humano. Há várias razões que justificam um estudo acurado sobra a linguagem. Em primeiro lugar,  muitos problemas graves do mundo de hoje incluem essencialmente a linguagem.



Bibliografia:

  • Hayakawa, S.I. - A Linguagem no Pensamento e na Ação - "As Funções da Linguagem"
  • Langacker, Ronald W. - A Linguagem e sua Estrutura





sábado, 7 de abril de 2012

LENDAS E MITOS

Afrodite, na mitologia grega, era a deusa da beleza e da paixão sexual. Originário de Chipre, seu culto estendeu-se a Esparta, Corinto e Atenas.
Seus símbolos eram a pomba, a romã, o cisne e a murta.
No panteão romano, Afrodite foi identificada com Vênus.
A mitologia oferecia duas versões de seu nascimento: segundo Hesíodo, na Teogonia, Cronos, filho de Urano, mutilou o pai e atirou ao mar seus órgãos genitais, e Afrodite teria nascido da espuma (em grego, aphros) assim formada; para Homero, ela seria filha de Zeus e Dione, sua consorte em Dodona.

Por ordem de Zeus, Afrodite casou-se com Hefesto, o coxo deus do fogo e o mais feio dos imortais. Foi-lhe muitas vezes infiel, sobretudo com Ares, divindade da guerra, com quem teve, entre outros filhos, Eros e Harmonia.
Outros de seus filhos foram Hermafrodito, com Hermes, e Príapo, com Dioniso. Entre seus amantes mortais, destacaram-se o pastor troiano Anquises, com quem teve Enéias, e o jovem Adônis, célebre por sua beleza.
Afrodite possuía um cinturão mágico de grande poder sedutor e os efeitos de sua paixão eram irresistíveis.
As lendas freqüentemente a mostram ajudando os amantes a superar todos os obstáculos.
À medida que seu culto se estendia pelas cidades gregas, também aumentava o número de seus atributos, quase sempre relacionados com o erotismo e a fertilidade.

terça-feira, 3 de abril de 2012

"A REVOLTA DAS PALAVRAS"

INTRODUÇÃO

Uma maneira prática e simples para entendermos o estudo dos empréstimos linguísticos é através de fábulas, citado inclusive por Nelly Carvalho, Professora da Universidade Federal de Pernambuco, em seu texto “Empréstimos Linguísticos”.

Segundo ela, os contos, as parábulas, as lendas, recolhendo narrativas populares, contam de forma simples, linhas gerais do comportamento humano nos seus aspectos sociais, psicológicos e até mesmo linguísticos. Sendo assim a esta é uma das formas para representar os arquitetos humanos. Em resumo: - as fábulas contém, condensadas em pílulas, as verdades humanas. Até mesmo, biblicamente falando, Jesus Cristo, utilizou este recurso para tingir o objetivo de uma melhor compreensão para suas mensagens.

A fábula foi escrita por Adair Pimentel Palácio, “ A Revolta das Palavras” é uma fábula moderna e muito interessante. Tenho a certeza que será admirada por todos aqueles que a lerem.


"Língua portuguesa convocou todas as palavras para uma Assembléia Geral. O motivo foi o veemente apelo que lhe fizeram alguns de seus súditos mais fiéis que se vangloriavam de conhecê-la por dentro e por fora.

Ela ia passando faceira em seu gingado natural, engordando uns quilinhos aqui, ao ingerir palavrinhas novas, e emagrecendo acolá como sói acontecer às línguas, que,sendo gulosas por natureza, alimentam-se de gregos e troianos. Mas os súditos fiéis interromperam sua marcha normal para reclamar a deformação que vinha sofrendo sua bela figura, causada, principalmente, por estrangeirismos abomináveis. A “mui fremosa senhora”, que é muito vaidosa, concordou com a idéia.
O planejamento do conclave ficou a cargo dos seus Ministros: os Adverbios de Tempo, Modo e Lugar. Lugar determinou que a reunião realizar-se-ia na Mansão Verde-Amarelo, por ser a maior de suas casas, e assim poder acomodar todo mundo. Advérbio de Tempo determinou que a Assembléia seria agora. Como Advérbio de Modo, que muito mente, disse que estava doente, a forma do conclave ficou meio indefinida.

Houve convocação compulsória para os formadores da estrutura gramatical como os Artigos, as Preposições, as Conjuções, as Flexões, os Verbos Auiliares e outros, todos soldadinhos pequeninos, mas de tal eficiência que se constituem na guarda de sua majestade.

As Flexões, como se sabe, por serem sufixos só tem um braço, o esquerdo. As Interjeições, coitadas, formam uma classe marginalizada. Ficou determinado que elas se encarregariam dos “ohs” e “ahs” durante a sessão.

As demais palavras foram convidadas, mas não estavam obrigadas a comparecer. Assim, os Arcaísmos decidiram não ir, por serem muito velhos.

No momento fixado foram chegando convocados e convidados.

Os prefixos gregos e latinos, todos manetas, chegaram vestidos a caráter. Os gregos com túnicas brancas e leves, um ombro descoberto, usavam sandálias com tiras cruzadas nas pernas. Os latinos, muito romanos, usavam braceletes no braço que lhes restava, o direito, e à cabeça traziam coroas de louros. Eles tinham o ar de superioridades que só o poder consente.

Como são ativos esses prefixos – todos metidos a besta e muito unissex. Tele mantinha um ar distante. O “A” grego tudo negava, e o latino ora aproximava-se, ora afastavam-se e, às vezes, também negava. Anti e Ante chegaram juntos, este último precedendo o primeiro, que, como o “A” grego, acima descrito, também é da oposição.

No momento certo todos tomaram seus lugares. A tribuna de honra fora reservada para a nobreza. Latinos e gregos ocuparam-na.

As palavras de origem latina constituiam a maior parte do plenário; As eruditas sentaram-se logo na frente; depois sentaram-se as populares. Em seguida sentaram-se as multinacionais: empréstimos franceses, muito perfumados por Dior; ingleses, usando sua melhor gabardina; italianos, quase todos muito musicais; alemães, todos muito marciais. Os africanos de diversas regiões cheiravam à comida gostosa e coloriam o plenário com símbolos religiosos. Eu quase esquecia de dizer que, a um canto, estavam Açúcar, Alcatifa e outros árabes de turbante, alguns dos quais representantes da OPEP.

Lá em cima, na galeria, instalaram-se os neologismos, as sigas, as abreveações famosas. Nos corredores e escadas, sentadas pelo chaão, estavam as gírias, bem hippies, mal comportadas como elas só – assobiando, conversando, comendo pipoca, mascando chicletes, fumando e botando cinza no chão.

Finalmente foi aberta a sessão. Como Língua Portuguesa não havia tido a devida assessoria de seu Ministro, Advérbio de Modo, não sabia bem como encaminhar os trabalhos. Um pouco titubeante, ela começou solicitando que quem não fosse completamente brasileiro se retirasse. Foi um alvoroço. Levantou-se todo mundo. Só ficaram sentadas uma meia dúzia de palavras que, embora nuas, estavam revestidas de muita brasilidade. Eram as de origem indígena. Jacaré cutucou Jaguar e ambos riram da mancada da bela senhora.

Percebendo sua precipitação, Língua Portuguesa pigarreou, pediu ordem no plenário e reformulou suas palavras, convidando a retirarem-se as palavras que não fossem legitimamente vernáculas.

Novamente deu confusão pela profusão de elementos que se levantaram, uns conformados, outros protestando veementemente. Alguns até alegaram pertencer à terceira ou quarta geração de aportuguesados e ter compatriotas com muito status, ocupando altos cargos governamentais e políticos e com poder econômico intontestável.

Língua Portuguesa pensou: “assim não dá”, e resolveu pedir que se apresentassem uma a uma das palavras estrangeiras para contar sua história. Assim, ela teria condições de julgar.

A primeira a apresentar-se foi Xícara, que disse ser uma nauatl pura, mas não sabia bem se do México ou da América Central (palavras não conhecem fronteiras). Disse que vivia bem em seu rincão natal, quando um espanhol dela usou e abusou. O mesmo fizeram muitos de seus compatriotas que por ela se apaixonaram. Então, ela saiu de casa para viver com os espanhóis. Mas esses latinos volúveis logo se cansaram de sua beleza. Como estava longe de casa, ela entrou pela porta do Brasil, onde foi muito bem recebida, e assim foi ficando por aqui. Lembou até que causou confusão na Academia de Brasileira de Letras, quando discutiram sua frafia x com ch. Então ela disse:
“Andei, virei, mexi e parei aqui
Sou tão vernácula quanto você.
  • Sou um símbolo nacional
Quem me rejeitar
xicrinha de café não vai mais tomar”.

Língua Portuguesa ficou perplexa.Não se havia dado conta de tão grande verdade. Concedeu imediatamente vernaculania à palavra. A aclamação foi geral.

Quem sabe, talvez devêssemos tomar café em xícara com ch.

Aí...Futebol, sempre com a bola no pé, deu com o foot na ball e pediu a palavra. Levantou-se muito inglês, posudo, com o respaldo do Banco de Londres e da rainha, e com a aquiescência da Seleção, reivindicando que já tinha grafia própria. Que mais lhe faltava? Disse que se fosse banido não mais se faria jogo no Brasil.

A gleba de tricampeões explodiu.
Nesse momento, Ludopédio interveio:
“Vieste de longe, oh inglês,
usurpar o meu lugar
tal qual fizeste às Malvinas
E eu, como é que vou ficar?

Mas ninguém deu bola pra ele.

Língua Portuguesa, perdendo a postura e compostura, quase perdeu também o rebolado. Ficou nervosa. Em menos de um momento, concedeu vernaculania à palavra.
O triunfo desses itens lexicais estimulou outros tantos. Piano levantou-se, liderando seus compatriotas, alguns bem famosos como Ciao e Pizza, e reivindicou para os italianos o direito à vernaculania.

O tumulo que se seguiu foi geral. Saionara, Sputnik, Garçon e muitas outras palavras, cada qual liderando um contingente de compatriotas, gritaram por greve.

Língua português ficou atordoada. Viu-se diante de uma guerra sonora tão calamitosa que, se não fosse controlada rapidamente, desencadearia uma nudez continental. Muito doidona, enfurecida pela pressão dos súditos fiéis e vencida pelos argumentos incontestáveis dos componentes de seu próprio corpo, nomeou a Lingüística por interventora. Esta, embora sob protesto, deu fim à baderna. Pôs os pontos nos is explicando à mui formosa senhora toda a complexidade de sua estrutura. Ela compreendeu. Sorriu, deu de ombros e, assumindo sua própria natureza, dissolveu a Assembléia. Os súditos mais fiéis ficaram a ver navios e a Língua evoluiu, entrando por uma perna de pinto e saindo por uma perna de pato...

A fábula acima serve para evidenciar que o empréstimo lingüístico é tão antiga quanto a história da língua, ou melhor, quanto a própria língua.

Estes marcam as influências que uma língua A, veículo de uma cultura, sofreu através dos tempos, pelos elementos lingüísticos estrangeiros que adotou, retrato dos elementos culturais diversos, que também importou.

Mas... o que a fábula omite é que se a língua A não diversifica seu tipo de empréstimo (de línguas B, C, D), se permanentemente adota-os da língua B, vai se tornando cada dia mais diferenciada de si mesma, perdendo a própria identidade, lingüística e cultural.

E, como diz o filólogo Antonio Houaiss, a história nos ensina que os povos que assim o fizeram tornaram-se facilmente manipuláveis, acabando por perder a sua identidade, sua independência e, com ela, sua liberdade."



BIBLIOGRAFIA



CARVALHO, Nelly. Empréstimos Lingüísticos
PALÁCIO, Adair Pimentel. Guató, a língua dos índios canoeiros do rio Paraguai.  

Um Pouco Sobre Minha História de

Um Pouco Sobre Minha História de

Vida

Nascida de família simples do interior da Bahia, em 03 de outubro de 1955, dia da eleição para Presidente da Republica, Juscelino Kubitschek, justamente, no momento em que minha mãe estava à caminho do posto eleitoral, sentiu a dor do porto e por isso não pode votar. Sendo a primogenita dos seis filhos da minha mãe e a quinta do meu pai, sempre sonhava acordada desde a infância. E, a partir desses sonhos juvenis é que as coisas foram acontecendo. Aos 12 anos de idade, dormia escutando um radinho de pilhas buscando a frequência de Londres para aprender inglês dormindo, pois a curiosidade de como vivam as pessoas em outros países era imensa. Aprendi inglês com o método "natural approach". Não frequentei cursinhos de inglês e por digitar muito, melhor dizer "datilografar" a gramática inglesa, aumentei a facilidade na escrita. Morei na Califórnia por 5 anos, e assim ampliei meus conhecimentos da língua inglesa e posteriormente é que cursei Letras Vernáculas, óbvio que com Inglês. A minha primeira viagem foi à Africa, precisamente em Lagos-Nigéria, onde permaneci longos meses, longos, porque foi numa época de guerrilhas (estado de sítio) destruição de correios, morte de Charles Chaplin, a qual que ocorreu justamente numa data inesquecível, no dia de Natal, quando me encontrava, numa casa de mulçumanos. Além de todos estes acontecimentos, não poderia deixar de mencionar também o show de Bob Marley, quando apresentava seu novo disco (vinil) "Kaya" para seus "irmãos de cor". Havia precariedade de linhas telefônicas, e o meu contato com a familia, praticamente não existia, sendo motivo de muita preocupação para meus pais. Além destes acontecimentos, o "FESTAC 77" (Festival da cultura negra internacional) tomou conta do continente africano, onde todas as nações negras do mundo se reuniram como uma espécie de "proclame" pela conquista de suas independencias.
Realmente não poderia de deixar de mencionar sobre essa experiência que muitos, até mesmo da minha familia, não conhecem detalhes. Para mim, foi de suma importância viver esta experiência, pois, como baiana, sinto o coração bater a força destes batuques, cuja história vem muito mais além dos preconceitos e disputas religiosas atuais. Personagens da música popular brasileira estiveram presentes como: Gilberto Gil, Caetano Veloso, dentre outros. Das apresentações, uma que se destacou para mim foi a de Bomba-Meu-Boi, por me fazer recordar a infância de um interior da Bahia, Jitaúna, onde o Bomba-Meu-Boi fazia parte da tradição folclórica. Sem sombra de dúvidas é um acervo histórico de muita importância para a nossa cultura. Casei-me pela primeira vez aos 18 anos, tenho duas filhas, dois netos e atualmente casada com italiano e vivemos entre a Itália e o Brasil. Trabalhei em diversas companhias e por último, em 1990, ingressei numa empresa multinacional na área de Recursos Humanos, permanecendo até minha aposentadoria em 2007. Por não exercer a minha profissão, propriamente dita " Professora", senti a necessidade de exercitar e compartilhar meus conhecimentos neste blog. Espero que agregue valor! Obrigada pela atenção!